30 set Revisão do Guia Alimentar é perigosa para nossa saúde
Você sabia que, desde 2014, nós temos um Guia Alimentar que é respeitado no mundo inteiro e que, inclusive, já serviu de exemplo para outros países, como o Canadá? Sim, nós temos!
Porém, agora entramos em um momento delicado. O Ministério da Agricultura criticou a classificação do Guia – dividida em alimentos in natura ou minimamente processados, processados e ultraprocessados – e pede para que seja revista. Se houver mudança nessa classificação, há chances de que ela gere um aumento no consumo de alimentos ultraprocessados pela população.
Entendendo o atual Guia
O Guia Alimentar brasileiro possui informações sobre alimentação e saúde dividindo os alimentos de acordo com o nível de processamento em sua produção. Tal Guia existe por recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS), com intuito de prevenir doenças desde a década de 1980.
Uma das principais recomendações do Guia brasileiro é de que as pessoas consumam alimentos frescos, evitando alimentos ultraprocessados. Além disso, ele faz alertas sobre doenças que podem resultar da má alimentação, como obesidade e diabetes. Entre as recomendações de alimentos frescos, estão o consumo de:
- Leite;
- Ovo;
- Verduras e legumes;
- Frutas;
- Grãos.
Mais conservantes, mais sal, mais açúcar
Alimentos ultraprocessados são aqueles feitos na indústria alimentícia, que não são caseiros e possuem diversos conservantes. Por mais que apresentem em suas embalagens mensagens como “caseiro igual ao da vovó”, não se deixe enganar – estão longe de ser a comida da vovó feita em casa.
Mesmo alimentos vendidos como comida de verdade, não o são. Eles têm alta quantidade de sal, açúcar, gorduras, texturizantes e realçadores de sabor. Exemplos:

- Macarrão instantâneo;
- Biscoitos industrializados;
- Salsichas, hambúrgueres e carne processada;
- Refrigerante;
- Salgadinhos;
- Batata frita pronta;
- Suco de caixinha;
- Comidas congeladas.
O consumo de tais alimentos tem relação direta com hipertensão, colesterol alto, síndromes metabólicas e obesidade, de acordo com estudos publicados este ano. Um deles afirma que o risco de obesidade aumenta em 26%*.
O que muda?
A mudança proposta pelo Ministério da Agricultura pede uma revisão do Guia com participação de outros setores, como engenheiros de alimentos. O intuito é que o aconselhamento de redução de alimentos ultraprocessados seja revisado, recomendando o mínimo desses tipos de alimentos na escolha dos brasileiros.
Ou seja, não precisaremos evitar totalmente os ultraprocessados – eles poderão fazer parte de nossa alimentação, e de nossas crianças também. Isso é muito delicado para a saúde de todos nós!
A verdade é que os ultraprocessados geralmente já fazem parte da alimentação da família – muitos pais têm dificuldades em tirar a bolacha recheada e o pacote de batatinha das crianças, e se os pais comem, naturalmente as crianças vão achar que está tudo bem comer também. Elas seguem o exemplo.
Porém, se esses alimentos passarem a fazer parte do Guia Alimentar oficial do Brasil, seu consumo não será incentivado? Como isso poderá influenciar em nosso desenvolvimento, crescimento e envelhecimento? É como se estivéssemos validando o que faz mal para o nosso organismo: está liberado consumir mais conservantes, mais sal, mais açúcar porque, afinal, o Guia Alimentar brasileiro diz que pode.
Isso é extremamente perigoso; a discussão é delicada e precisamos acompanhar – afinal, é da saúde da nossa família que estamos falando!

Dr. Daniel Servigia Domingos (CRM 139.044), pediatra geral e endócrino pediatra
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