03 abr O uso da chupeta e a amamentação
Sabe-se que a amamentação tem um impacto positivo em curto e longo prazos na saúde das crianças, sendo considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) uma questão de direitos humanos. Entretanto, estudos na área têm constatado que o uso de chupeta está associado ao desmame precoce de bebês entre um e 24 meses. Tal dado é confirmado, inclusive, no Brasil.
Existem três hipóteses de por que existe relação entre o uso de chupeta e menor duração da amamentação, apesar de deixarmos claro aqui que uma não exclui, ou não deve excluir, a outra:
- Introdução da chupeta causando a interrupção da amamentação;
- Introdução da chupeta devido a problemas na amamentação;
- Temperamento do bebê, perfil da mãe e das famílias e a interação entre a mãe e o bebê.
Chupeta tem prós e contras
Existe o lado positivo e o negativo do uso da chupeta, pois a recomendação sobre o tema não é única. A própria OMS não recomenda o oferecimento de chupetas e mamadeiras a crianças amamentadas; entretanto, estudos internacionais aconselham seu uso após o estabelecimento da amamentação.
Os argumentos contra a chupeta levam em consideração evidências de que, com ela, a criança pode desenvolver dificuldades com:
- Funções orais e sucção;
- Respiração;
- Mastigação, deglutição e fonoarticulação, que estão ligadas ao processo de formação da criança, como nutrição, comunicação, crescimento;
- Dentição (os dentes podem ter alterações anatômico-funcionais indesejáveis);
- Otite médio-aguda (líquido no ouvido médio por causa da pressão);
- Segurança química, física e imunológica (chupetas podem ser contaminadas e afetar diretamente o sistema imunológico da criança);
- Níveis de inteligência (existe um estudo que constatou que crianças que chuparam chupeta tiveram um desempenho 16% menor ao longo da vida);
- Possíveis vícios orais na vida adulta (fumar, comer excessivamente e outros transtornos compulsivos).
Já os argumentos em favor do uso estão relacionados a:
- Estimulação da sucção não nutritiva: a chupeta parece oferecer benefícios para a maturação da sucção do bebê;

- Redução da Síndrome da Morte Súbita do Lactente – SMSL: essa hipótese baseia-se no fato de que a chupeta mantém a língua do lactante em uma posição em que a via aérea fica livre; porém, a maior parte das crianças solta o artefato quando adormece e a hipótese só é válida enquanto a chupeta permanece de fato na boca da criança;
- Manejo da dor no recém-nascido: autores defendem que a chupeta pode inibir a hiperatividade e modular o desconforto, ajudando na organização neurológica, reduzir a atividade motora e estados de excitação, ter um efeito favorável na modulação cardíaca, respiratória e saturação de oxigênio. Contudo, sabe-se que a amamentação, durante procedimentos dolorosos, também reduz a dor e interfere no comportamento dos recém-nascidos, pois leva ao contato com a mãe, calor, cheiro, etc.;
- Modulação do comportamento agitado do bebê, pois ela possui um efeito tranquilizante: o uso de chupeta em bebês de dois a quatro meses pode modificar realmente o comportamento deles; outras atitudes, como aconchegar o bebê, banhá-lo, cantar para ele e intensificar o contato também ajudam e melhoram o desenvolvimento infantil.
Aqui no Centro Alliance, sempre fornecemos informações claras sobre o assunto e tentamos instruir os pais da melhor forma possível, baseados em estudos científicos e apresentando os prós e contras do uso em crianças na fase de amamentação. Cada caso é um caso. Por isso, é necessário entender as necessidades da criança e de sua família, bem como o interesse da mesma. A decisão conjunta entre o pediatra e a família sobre o uso ou não de chupeta nesse período é muito importante para o desenvolvimento do bebê.
Acreditamos que a introdução do artefato deva acontecer após o estabelecimento da amamentação, para que não haja uma confusão de bicos – mas esta é uma primeira sugestão genérica, que não leva em conta as especificidades da saúde de cada criança, sua rotina, as expectativas dos pais ou cuidadores. Daí a importância de manter o acompanhamento com o pediatra; pois será possível identificar o que é melhor para o desenvolvimento do bebê em cada fase de sua vida.
Não hesite em nos procurar ou escreva para tirar mais dúvidas! Vamos buscar as melhores e mais saudáveis soluções para nossos pequenos!
Dr. Daniel Servigia Domingos (CRM 139044), pediatra e endocrinologista pediátrico
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