O coronavírus em bebês, crianças e adolescentes

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Na semana passada, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) fez uma live no Facebook falando sobre a pandemia do novo coronavírus e seu comportamento em crianças e adolescentes. Dra. Luciana R. Silva, presidente da sociedade, falou sobre a responsabilidade do pediatra, o principal promotor da saúde desse público.

Os Drs. Renato Kfouri e Marco Aurelio Safadi discutiram os aspectos da Pediatria perante a doença. O primeiro ponto abordado foi sobre todas as informações serem de revisões bibliográficas da literatura já existente, pois o vírus é novo. Portanto, reforçaram que há lacunas no conhecimento – supridas por suposições de acordo com o conhecimento da comunidade científica. E deram uma breve explicação sobre o COVID-19, citando o surgimento do vírus na Ásia devido aos hábitos e densidade demográfica favorável.

Na China, de acordo com estudo retrospectivo de 2143 crianças e adolescentes, publicado em 17 de março, foram 731 casos confirmados e 1412 suspeitos. Dos confirmados:

  • 13% eram assintomáticos;
  • 43% tiveram sintomas leves;
  • 41% sintomas moderados;
  • 2,5% sintomas graves/severos;
  • 0,4% sintomas críticos;
  • Entre eles, apenas uma morte confirmada, de um adolescente de 13 anos, da qual não temos mais informações sobre seu quadro de saúde antes da doença.

Por isso, reforçaram que a Pediatria tem sido “poupada” com relação ao número de casos, pois realmente tem havido menor impacto nessa faixa etária. Ainda, apontaram a tomografia como exame auxiliar para diagnóstico de casos de COVID-19.

Um olhar para as gestantes e os recém-nascidos

Já nesta semana, um novo documento da mesma Sociedade abordou gestantes e recém-nascidos, públicos considerados de maior atenção em situações epidêmicas virais.

O documento traz a pergunta: pode haver transmissão vertical, ou seja, de gestante para o feto neste caso? O que se sabe com certeza deste novo coronavírus é que ele deixou o ciclo animal-animal (o morcego ainda é hospedeiro hipotético) e passou a infectar seres humanos – e, entre as pessoas, suas transmissibilidade é alta.

O documento explica que os dados até o momento não sugerem que as gestantes tenham mais risco de doenças graves do que as não gestantes, apesar do pouco conhecimento do quadro clínico e de complicações da COVID-19 especificamente nessa população – de 147 gestantes infectadas na China, 8% desenvolveram doenças graves e 1% doenças críticas.

Considerando-se a transmissão vertical, os poucos dados sugerem que ela não ocorre: em 37 gestantes que contraíram o vírus, não houve pneumonias graves, nem morte – nem mesmo intercorrências do período, como pré-eclâmpsia, pareceram modificar o risco de morte dessas mulheres.

De 30 recém-nascidos de mães positivas para o coronavírus, não houve nenhum infectado. No início da epidemia, foram divulgados dois casos positivos em recém-nascidos, um com 17 dias e outro com 36 horas de vida, mas, neles, não houve evidência direta de transmissão vertical. Também, ainda não sabemos se recém-nascidos infectados apresentam risco aumentado de complicações graves.

Precisamos entender que se trata de um vírus novo e que ainda há muito o que se definir sobre a doença, por isso há ainda tantas incertezas; conforme ela se expande, mais informações vão ajudar médicos e cientistas em seu melhor entendimento, formas de transmissão e melhora no diagnóstico precoce e tratamento.

Vamos manter a calma

Ainda não há expectativa de vacina neste momento. É preciso ter calma e paciência e manter os hábitos de higiene e o isolamento social amplamente divulgado pela mídia.

A boa notícia é que houve reforço em relação à vacinação contra a gripe. Ela não protege contra o COVID-19, mas diminui a busca por atendimentos médicos, dando alívio ao sistema de saúde. A partir de 9 de maio, a campanha passará a atender crianças de 6 meses a menores de 6 anos – é importante que os pais e responsáveis busquem vacinar os pequenos.

Se você tem dúvidas, entre em contato pelo WhatsApp do Centro Alliance – (11) 96917-9187. Não leve seu filho para o hospital por causa de gripe ou resfriado; vamos evitar a aglomeração nos centros de saúde – muitas doenças podem ser transmitidas nesses locais, especialmente neste momento.

Dr. Daniel Servigia Domingos (CRM 139.044), pediatra geral e endócrino pediatra

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