08 set Morte súbita de bebês: a informação é essencial!
A morte súbita, que também chamamos de síndrome da morte súbita do lactente (SMSL), é a principal causa de mortalidade infantil entre um mês e um ano de idade nos Estados Unidos. No Brasil, essa incidência é desconhecida.
A condição é definida como a morte repentina de um bebê com menos de um ano de idade – a maior prevalência é em bebês de até seis meses -, geralmente durante o sono, entre meia-noite e seis da manhã, sem explicação clara, até que se faça uma investigação completa. Para definir a morte como súbita, é preciso descartar outras suspeitas, como as de maus-tratos, envenenamento, infecções, acidentes e doenças genéticas.
Causas, de fato, ainda não são comprovadas. Estudos vêm progredindo, especialmente desde a década de 1990, e as especialidades de patologia e epidemiologia estão contribuindo para um progresso essencial, para que melhor se entenda a síndrome.
Por que acontece a morte súbita?
São diversos os fatores de risco para a síndrome, já identificados:
- Mãe jovem;
- Gestante fumante;
- Ausência de pré-natal, ou feito tardiamente;
- Nascimento prematuro ou abaixo do peso;
- Bebê dormir deitado de bruços – a melhor posição é de barriga para cima;
- Bebê dormir em superfícies macias demais, como sofás, almofadas ou colchões de água;
- Dormir com elementos soltos, como cobertores, travesseiros ou pelúcias, que possam sufocá-lo, caso ele os puxe;
- Dormir em cama compartilhada, com os pais ou irmãos, por exemplo;
- Superaquecimento do ambiente.
Mais de 95% dos casos estão associados a um ou mais fatores de risco.
Campanhas já reduziram mortes no exterior
É sabido que a incidência da morte súbita em bebês diminuiu drasticamente em países como os da Europa, Austrália e Nova Zelândia, que adotaram campanhas para incentivar que o bebê seja colocado para dormir de barriga pra cima, e nunca de bruços.
Nos Estados Unidos, a incidência caiu em mais de 50% desde a década de 1980; a maior redução ocorreu a partir de 1992, quando a Academia Americana de Pediatria (AAP) reforçou a comunicação sobre a necessidade de manter o bebê nessa posição ao dormir. Com isso, até 2001, a taxa de bebês que faleceram pela síndrome caiu de 1,2 para 0,56 para cada 1 mil bebês, e eles identificaram que a proporção deles dormindo de barriga pra cima aumentou de 13% para 72%. Depois, declínios semelhantes ocorreram em outros países que desenvolveram o mesmo tipo de campanha.
Como posso evitar a morte súbita de meu bebê?
O bebê deve dormir sempre de barriga para cima! Nunca se esqueça disso!
Evite os fatores de riscos citados acima – em caso de dúvidas, sempre converse com o pediatra de seu filho, mesmo antes dele nascer. O acompanhamento da saúde da mãe e do bebê é essencial para prover um parto saudável e a consequente qualidade de vida aos dois.
Além de evitar os fatores, é recomendável também:
- Não deitar seu bebê de lado, nem de bruços;
- Se você quer dormir perto dele, coloque o berço perto de sua cama, mas nunca o bebê diretamente na sua cama. Inclusive, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomenda que o berço fique mesmo no quarto dos pais até o bebê completar seis meses – mas nada de cama compartilhada;
- Deixe o espaço do berço o mais livre possível – nada de tecidos, lençóis ou cobertores com pontas soltas, bichos de pelúcia, acolchoados de proteção interna do berço, enfim, nada que ele possa agarrar e levar ao rosto, obstruindo sua própria respiração;
- Nunca cubra o rosto do bebê enquanto ele dorme;
- Procure manter o ambiente ventilado e não o vista com roupas em excesso;
- Mantenha a carteira de vacinação de seu filho sempre em dia;
- Não deixe que ninguém fume perto de seu bebê;
- Priorize e valorize a amamentação materna – inclusive, escrevi há poucas semanas sobre seus benefícios;
- Não use dispositivos para verificar respiração ou frequência cardíaca do bebê durante o sono – isso não adianta.
Sou pediatra aqui no Centro Alliance, e podemos associar o meu atendimento ao da Dra. Liliane Miyuki Sato, nossa obstetra. Vamos garantir saúde desde o planejamento de sua gestação! Mande um WhatsApp pra gente!

Dr. Daniel Servigia Domingos (CRM 139.044), pediatra geral e endócrino pediatra
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