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Mitos e verdades sobre vacinas

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Recentemente, tem sido divulgado na imprensa que os níveis de cobertura vacinal estão abaixo do esperado no Brasil. Esse fato gera extrema preocupação já que, graças às vacinas, muitas doenças foram erradicadas e/ou tiveram sua incidência diminuída. Além disso, o número de internações hospitalares e diversas sequelas provocadas por doenças que possuem vacina também tiveram uma redução significativa ao longo dos anos.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) já alertou: a relutância ou a recusa para vacinar é uma das 10 principais ameaças para a saúde em 2019. O sarampo, por exemplo, teve aumento de 30% dos casos em todo o mundo recentemente. Por outro lado, a mesma OMS estima que de 2 a 3 milhões de mortes a cada ano sejam evitadas pela vacinação.

pediatra

Dr. Daniel Servigia Domingos, endocrinologista pediátrico e pediatra geral – CRM 139044

O panorama está tão ameaçador que a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) se uniram em uma campanha de incentivo à vacinação.

Com tantos benefícios – como os acima citados -, levanta-se assim a questão: por que tantos pais estão deixando de vacinar seus filhos?

É claro que observamos recentemente também uma enxurrada de notícias e informações falsas sobre os supostos efeitos negativos da vacina, muitas delas sem nenhuma evidência científica. Pensando nisso, resolvi escrever e esclarecer alguns mitos sobre a vacinação baseados em algumas dúvidas de mães que passaram no nosso consultório.

 

Doutor, é verdade que há vacina com vírus vivo?

Verdade. Há dois tipos de vacinas: as que chamamos de inativadas (quando usamos organismos mortos, alterados ou apenas parte desses agentes) e as vacinas com vírus vivos, porém extremamente enfraquecidos. Essas vacinas podem causar sintomas semelhantes aos da doença, porém com menor intensidade e curta duração.

 

A vacina de sarampo causa autismo?

Mito. Em 1998, foi publicado um artigo que encontrou essa relação; porém, descobriu-se que o autor recebeu dinheiro de escritórios de advocacia envolvidos com processo contra a indústria farmacêutica. Ele teve o registro cassado e o artigo foi retirado da revista. Vários estudos sérios, ou seja, sem conflitos de interesse foram desenvolvidos e não encontraram nenhuma evidência científica de que a vacina de sarampo possa causar autismo.

 

A vacina da gripe causa gripe?

Mito. A vacina da gripe é uma vacina de vírus fragmentado e inativado, portanto não pode causar doenças. Os efeitos colaterais mais comuns são dor e inflamação no local da picada. Alguns sintomas de febre baixa e dor muscular podem acontecer, mas não é a gripe. Vale lembrar que a vacina deve ser dada antes da época de maior incidência da doença, nos meses mais frios do ano.

 

Posso ficar doente mesmo tendo sido vacinado?

Verdade. Nenhuma vacina é 100% efetiva; porém, ela diminui bem as chances da pessoa contrair a doença e diminui muito a gravidade da doença e as possíveis complicações geradas pela doença.

 

Meu filho pode ter alergia à proteína do leite de vaca (APLV) por causa da vacina de rotavírus?

Mito. Não há estudos científicos que comprovem o aumento da incidência ou desencadeamento de alergia à proteína do leite de vaca em crianças vacinadas contra o rotavírus. Acontece que a idade em que a vacina é realizada coincide com a idade de maior diagnóstico de APLV. A vacina pode causar um pequeno sangramento nas fezes secundário a uma pequena inflamação intestinal – e esse sangramento pode nos levar à confusão com os sintomas da APLV -, mas com evolução benigna, curta duração, autolimitada e que não contraindica doses subsequentes.

 

Meu filho pode ter invaginação intestinal após vacinação contra o rotavírus?

Verdade. Contudo, a chance da invaginação acontecer é muito, muito, muito rara e o benefício da proteção contra doença é muito maior do que o risco de ocorrer invaginação. Para se ter uma ideia, estima-se que a vacina de rotavírus reduziu em quase 21% o número de mortes por gastroenterite e em 40% a hospitalização por diarreia nos menores de cinco anos.

 

Muitas doenças preveníveis por vacina não existem mais. Não preciso vacinar mais meu filho?

Mito. Embora muitas doenças preveníveis por vacina tenham se tornado raras em alguns países, os agentes causadores das doenças ainda circulam em outros países. E, com a facilidade do mundo moderno de chegarmos a diversas regiões rapidamente, caso não estejamos protegidos com a vacina, podemos sim adquirir a doença e levá-la para outro local. Sendo assim, se este local estiver com cobertura vacinal baixa, a doença se espalha novamente. Por isso, é importante manter a vacinação em dia e a cobertura vacinal alta.

 

vacinaSe os amigos do meu filho tomaram vacina então meu filho está protegido. Por que vaciná-lo então?

Realmente, existe a proteção coletiva ou imunidade de rebanho, em que as pessoas não vacinadas ou suscetíveis à doença são protegidas indiretamente pela vacinação das outras pessoas, já que essas não transmitiriam a doença, pois estão protegidas. Porém, se todos pensarem da mesma forma e não se vacinarem, essa proteção não existirá ou diminuirá facilitando a disseminação da doença.

 

Doenças mais fáceis de tratar, como catapora, ainda precisam da vacinação?

Pense sempre que, se existe a vacina para a doença, é porque ela ainda é muito necessária! Ainda que pareça simples o tratamento da catapora, ela é considerada potencialmente grave por ser infecciosa – há histórico de sequelas e até óbitos. Não se deixe enganar pelo que parece ser simples.

 

Por tudo isso, a conscientização é essencial, principalmente para fazer a proteção entre crianças até cinco anos de idade. E o combate à divulgação de informações sem fundamento é também importante.

Ressalto que vacinas são seguras, e a chance de uma criança adquirir uma doença sem vacina é muito maior do que ela sofrer um grave efeito colateral. Aliás, a maioria dos efeitos colaterais é benigna; esse medo não pode levar os pais a deixar seus filhos sem imunização.

Não se distribui vacina no Brasil aleatoriamente; o governo tem um rígido controle: cada vacina passa por um rigoroso processo da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) – às vezes, pesquisas são realizadas por mais de uma década até que os resultados de segurança e eficácia sejam comprovados em milhares de humanos voluntários. Assim, eles conseguem atestar que aquele medicamento é de fato capaz de prevenir a doença específica, sem oferecer risco à saúde.

Tendo dúvidas, consulte sempre um pediatra habilitado; não confie em mensagens de grupos e redes sociais sem respaldo. E não se esqueça: a vacina é uma declaração de amor e cuidado ao seu filho!

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