29 jan Luta contra o câncer de colo de útero marca o Janeiro Verde
A luta contra o câncer de colo de útero, ou câncer cervical, é tema da campanha Janeiro Verde, lançada pela Sociedade Brasileira de Cancerologia. Infelizmente, os números que acompanham a doença são alarmantes: estima-se que, no Brasil, 16.370 novos casos tenham surgido em 2018, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), e que o número de mortes passe dos 6 mil. Estes números tornam a doença a quarta maior causa de morte de mulheres no país. E o terceiro tipo de câncer mais frequente entre as mulheres.
A principal causa da doença é a infecção persistente por alguns tipos de Papilomavírus Humano (HPV), principalmente os subtipos 16 e 18, responsáveis por 70% das lesões do colo uterino.
O HPV é transmitido por meio da relação sexual e é uma infecção genital bastante comum. Na maioria das vezes, não causa doença, mas em cerca de 10% ocorrem alterações celulares que podem levar à evolução para o câncer.
A importância da prevenção
A principal medida no caso de câncer no colo do útero é a PREVENÇÃO: primeiro, porque é uma doença na qual conhecemos os principais fatores etiológicos e de risco – dentre eles, o HPV, como comentado acima – e também porque, se houver detecção precoce, as chances de cura são de 100%.
A primeira estratégia em relação à prevenção de lesões e câncer de colo uterino é o uso do preservativo. Além de proteger contra o HPV, o uso da camisinha (tanto a masculina quanto a feminina) também te protegerá contra outras doenças sexualmente transmissíveis.
Outra estratégia é a vacinação contra o HPV.
Em 2014, o Ministério da Saúde incluiu a vacina quadrivalente contra o HPV no calendário vacinal. Quadrivalente significa que previne contra quatro subtipos do vírus. Vamos lembrar que existem pelo menos 150 subtipos de HPV; logo, a pessoa vacinada também não pode abandonar o uso da camisinha e nem a realização de exames preventivos.
Atualmente, é indicada para meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos, preferencialmente antes do início da vida sexual. Pessoas de outras faixas etárias também podem tomar a vacina, já que a quantidade de anticorpos produzidos por estímulo da vacina é maior do que por infeção, mas é necessário uma avaliação e recomendação médica.
A vacinação é para utilização preventiva e não tem efeito demonstrado ainda nas infecções pré-existentes ou na doença clínica estabelecida. Portanto, não é usada para tratamento de lesões ou câncer do colo do útero.
E como uma medida de prevenção secundária, está a consulta com o ginecologista, com exame físico e coleta de Papanicolau. É um exame simples e extremamente importante para o diagnóstico precoce de lesões do colo uterino. Ele guiará a necessidade de outros exames e procedimentos para a identificação precoce das lesões. Muitas pacientes ficam receosas ou desconfortáveis quando se fala no “preventivo”, mas realizado por profissionais adequados, é um exame totalmente indolor e rápido.
Sabe-se que a maioria das evoluções de uma alteração celular, para uma lesão pré-cancerígena e finalmente para um câncer, pode levar de 10 a 15 anos. Nesse período, não aparecem os sintomas. Esses poderão surgir apenas quando a doença estiver avançada, e são eles: corrimentos fétidos, sangramentos vaginais irregulares, dor pélvica e emagrecimento. E, infelizmente, nesse estágio da doença, as taxas de queda de qualidade de vida e mortalidade se tornam extremamente altas.
Portanto, salve-se. Procure informações com seu ginecologista quanto aos fatores de risco dessa doença, quanto ao uso do preservativo, vacinação e realização de exames preventivos. Lembre-se de que janeiro está acabando – e com ele, a campanha Janeiro Verde -, mas o cuidado e prevenção devem seguir pelo ano todo.

Dra. Liliane Miyuki Sato (CRM 139085), ginecologista e obstetra do Centro Alliance de Medicina
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