imunidade

Imunidade não se aumenta com remédio, mas com bons hábitos

Percebo no consultório que muitas mães ficam aflitas com relação à imunidade de seus filhos. Ninguém gosta de ver o filho doente, e muitas procuram ajuda ou uma medicação que possa aumentar a imunidade da criança. Nesse momento, há muita informação errada passada aos pais. Infelizmente, muitos profissionais alimentam essa esperança da mãe e acabam prescrevendo tais medicações, sem dizer o que realmente estão dando para os pequenos. Portanto, gostaria de esclarecer as dúvidas sobre esse tema.

Em primeiro lugar, não existe medicação para aumentar a imunidade; há, sim, no mercado remédios famosos para esse fim, porém não há trabalho científico sério que tenha comprovado que esses remédios funcionem. São vários os remédios, e listo aqui alguns deles:

  • Há um fitoterápico que está na moda, mas tem o inconveniente de possuir etanol em sua fórmula e conter uma substância que pode interferir na coagulação do sangue;
  • Há outro muito prescrito que é um lisado bacteriano, ou seja, um monte de bactérias destruídas;
  • Outro que vejo, ainda, em muitas prescrições é um lisado do timo (órgão de defesa) de vitelo;
  • Há também um homeopático bastante prescrito.

Reforço, mais uma vez, que não há evidências concretas de que eles funcionem. Para não ser injusto, há trabalhos dizendo que alguns diminuem a quantidade de infecções respiratórias, porém são estudos de baixa qualidade. Ou seja, profissionais sérios não confiam em testes como esses; não dá para garantir que os medicamentos realmente reduzam a possibilidade de infecção respiratória e, consequentemente, sua prescrição não se justifica.

 

Mas o que acontece com meu filho? Por que ele está sempre está doente?

Vamos explicar: dentro do útero, o bebê esta se desenvolvendo em um ambiente estéril. Ele não é exposto frequentemente a infecções; portanto, nasce com um sistema imunológico muito imaturo que não funciona bem, principalmente nos primeiros anos de vida.

À medida que o bebê vai ficando mais velho, a imunidade aumenta progressivamente e a quantidade de infecções diminui com o tempo, naturalmente. Assim como aprendemos a andar e a falar, nosso organismo aprende a se defender contra infecções, e não há nada que possamos fazer para acelerar esse processo.

Seria ótimo para as mães e para os pediatras ter uma medicação que impedisse que as crianças ficassem doentes. Nos dias atuais, o que tem acontecido é que estamos colocando nossos filhos cada vez mais cedo nas escolinhas, e então você já viu o resultado: o bebê tem uma defesa que não funciona direito e é colocado em um ambiente onde o contato com vírus e bactérias é constante, então ele pode ficar mais doente mesmo. Para se ter uma ideia, é completamente normal a criança ter dez infecções respiratórias em um ano, e isso não significa que ele tem uma baixa imunidade.

Claro que, após explicar para os pais como funciona o desenvolvimento da imunidade na criança e mostrar que não existem provas de que essas medicações funcionem, eles podem optar por utilizar a medicação assim mesmo. Não sou absolutamente contra o uso, sou contra dar a falsa esperança de que essa medicação realmente vá aumentar a imunidade. Acho que os pais devem gastar seu dinheiro com outra coisa, e prefiro orientar medidas que comprovadamente reduzem as infecções:

imunidade

  1. Amamente seu filho pelo menos até o sexto mês; a mãe transfere anticorpos para o bebê através do leite, que geram proteção contra algumas doenças;
  2. Procure sempre oferecer alimentação saudável; uma alimentação adequada garante a quantidade correta de macro e
    micronutrientes que são essenciais para o bom funcionamento do sistema imune;
  3. Vacine seu filho;
  4. Lava sempre a mão antes e após o contato com o bebê;
  5. Higienize sempre a mão da criança;
  6. Deixe de levar seu filho na creche se ele estiver doente, evitando disseminar a doença para outras crianças;
  7. Brinque com seu filho ao ar livre e na natureza.

 

Como se percebe, a contribuição para aumentar a imunidade do bebê e da criança se dá com atividades e ações naturais. O corpo dele precisa se desenvolver e aprender sozinho a se defender, e ser bem alimentado, higienizado e estar em contato com ambientes abertos contribui diretamente para isso.

Não precisamos de recursos e alternativas artificiais para garantir que a saúde deles se fortaleça e se desenvolva – remédios devem ser usados para combater doenças, para tratamentos. Considere uma vida mais simples e natural para seu filho, longe dos maus hábitos e alimentos industrializados. A partir daí, o organismo dele saberá o que fazer!

 

Dr. Daniel Servigia Domingos (CRM 139044), endocrinologista pediátrico e pediatra

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