Dermatite atópica: uma questão além da vermelhidão da pele

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Dermatite atópica: uma questão além da vermelhidão da pele

Pele seca, coceira, vermelhidão, ferimentos… Bastante comum, a dermatite atópica é uma doença inflamatória crônica da pele de causa multifatorial. Manifesta-se como pele intensamente ressecada, que leva o paciente a ferir-se pelo ato de cocar, com a formação de áreas avermelhadas, mal delimitadas, em localizações típicas. Com o tempo e dependendo da gravidade, as lesões de pele podem não desaparecer, adquirindo um aspecto de pele grossa, com descamação, feridas e bastante coceira, que pode atrapalhar o sono, o aprendizado e causar irritabilidade.

Geralmente desenvolvida durante a infância, a dermatite atópica, ao contrário do que muitos pensam, não é contagiosa.

Manifesta-se como irritação na pele que pode aparecer por todo o corpo, sendo que os locais mais acometidos são a parte detrás do joelho e as dobras das articulações. Porém, dependendo da faixa etária, os locais afetados podem variar. Por exemplo: na fase infantil, as lesões podem ocorrer na parte periférica da face (exceto na região do nariz e parte central do rosto), tronco e parte detrás dos membros; já na fase pré-puberal, localizam-se principalmente nas regiões flexurais dos joelhos, cotovelos, pescoço, pulsos e tornozelos e; na fase adulta, também em regiões flexurais e, mais comumente, na face e nas mãos.

É uma doença crônica e recidivante, ou seja, vai e volta. No dia a dia, muitos pais nos perguntam o que estão fazendo de errado nos cuidados com os filhos para o surgimento da dermatite atópica, e a nossa resposta é sempre a mesma: não estão fazendo nada de errado, pois a causa não se constitui de apenas um motivo, mas sim de uma causa genética, com alguns fatores que contribuem para sua manifestação e/ou piora (as chamadas “crises”).

 

E quais são esses fatores de risco para as “crises”?

São variáveis, mas podemos citar alguns:

  • Alergia a pólen, mofo, ácaros ou animais;
  • Exposição a fragrâncias, corantes de loções ou sabonetes;
  • Produtos de limpeza;
  • Detergentes;
  • Uso de roupas de lã e tecidos sintéticos;
  • Materiais ásperos;
  • Baixa umidade do ar;
  • Frio intenso;
  • Calor;
  • Transpiração;
  • Infecções;
  • Estresse emocional.

A dermatite atópica tende a aliviar com o passar do tempo, sendo que 80% das crianças melhoram até a adolescência!

De qualquer forma, o controle da doença se dá através de cuidados diários com a pele, para que a coceira não apareça e leve à formação de lesões de pele quando o paciente se coçar!

 

Objetivo deve ser o de reduzir a inflamaçãodermatite atópica

Primeiro, é preciso ter em mente que o acompanhamento médico é essencial para que o tratamento adequado seja realizado. De fato, o foco do tratamento é realizar uma constante hidratação da pele e prevenir atitudes que causam desidratação, como banhos quentes e demorados, uso de sabonetes e xampus potentes e uso de produtos inadequados para a pele do paciente atópico. O intuito é controlar a coceira e reduzir a inflamação para que a recorrência seja a menor possível.

Em alguns casos, em que a inflamação estiver mais acentuada, recomenda-se o uso de medicações tópicas, como imunomoduladores e corticoides tópicos. Apenas em situações mais graves os pacientes precisam utilizar medicação oral, como antibióticos.

Lembramos que, hoje em dia, a busca por informações sobre doenças e problemas de saúde na internet é alta. Mesmo com muitos materiais disponíveis, como explicações e vídeos, a visão e análise clínica de um profissional não devem ser substituídas. Portanto, se notar sintomas como os descritos aqui em você ou nas crianças da família, não hesite em marcar uma consulta!

 

Dr. Daniel Servigia Domingos (CRM 139.044), pediatra geral e endócrino pediatra e Dra. Anaísa Raddo (CRM 162.773), dermatologista

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