Corrimento: é preciso se preocupar?

Compartilhe
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  

Muitas mulheres sofrem com corrimento vaginal, mas nem todas procuram por um médico, seja por vergonha ou por considerar desnecessário. Mas será que todas sabem o que realmente é o corrimento? Já deixamos o tema registrado em nosso site, mas neste texto iremos abordá-lo de forma mais ampla e explicá-lo mais diretamente para que você saiba quais providências tomar quando necessário.

Primeiro, sim: o corrimento pode ser considerado normal. Ele não apresenta risco quando a secreção excretada tem um odor adocicado (esse odor deve-se ao ácido lático) e a aparência é translúcida. Nesse caso não é preciso se preocupar, afinal, todas as mulheres apresentam algum conteúdo vaginal fisiológico já que o revestimento da vagina é mucoso, ou seja, ela precisa se manter umedecida. Entretanto, por não ser uma regra e poder variar de acordo com as situações como as de gravidez, ciclo menstrual, vestimentas e até condições de higiene, é sempre importante procurar um ginecologista para que o quadro seja corretamente avaliado.

Já os casos em que é possível verificar que há algo realmente errado e que é necessário tratamento são aqueles em que o corrimento apresenta odor e possui variação de cores, sendo considerado anormal. Nessas situações, podemos citar quatro tipos de corrimentos que precisam de tratamento:

 

1 Candidíase

Um dos tipos de corrimento mais frequentes, a candidíase tem como fatores de risco condições diversas: gravidez, pós-parto, obesidade, cirrose hepática, diabetes mellitus, imunossupressão por medicamentos ou doenças de base, uso de antibióticos, hábitos alimentares e de vestimentas propícios ao crescimento contínuo dos fungos e automedicações inapropriadas.

O uso de roupas mais confortáveis e menos apertadas, por exemplo, pode ajudar a evitar esse desconforto, visto que a candidíase é causada por um fungo (a Candida albicans) que já habita a flora vaginal naturalmente, mas que se prolifera quando a área fica mais quente, úmida e abafada. Isso significa que a flora vaginal está desequilibrada.

Ela pode causar ardência e coceira local, e corrimento sem odor com característica grumosa. Seu tratamento é tranquilo; porém, se não realizado, pode causar problemas maiores, como edema na região genital, fissuras, dor na relação e até infecções secundárias pelo ato de coçar.

 

2 Vaginose citolítica

É parecida com a candidíase e os sintomas são praticamente os mesmos, mas precisam ser diferenciadas, pois os tratamentos são diferentes. Por isso, é essencial o diagnóstico.

A diferença entre elas é que a vaginose citolítica é causada pelo aumento do número de lactobacilos e, consequentemente, maior produção de ácido lático, o que deixa a vagina mais ácida.

 

3 Vaginose bacteriana

Nesse caso, ocorre o contrário – há uma diminuição dos lactobacilos e bactérias anaeróbias como a Gardnerella vaginalis se proliferam. O odor do corrimento é bastante forte, ele é bolhoso e a cor pode ser branca ou acinzentada.

 

  • As três condições acima não são consideradas doenças sexualmente transmissíveis (DST); entretanto, separamos uma abaixo que é e que também causa corrimento:

 

4 Tricomoníase

Pode causar corrimento puxado para o verde ou acinzentado e forte coceira; entretanto, nem sempre causa odor. É causada pelo parasita (trichomonas vaginalis) transmitido durante a relação sexual.

 

Como evitar

Sem dúvida, a higiene íntima adequada pode ajudar a evitar tais problemas. Além dela, alguns outros cuidados podem ser tomados:

  • Evite roupas muito apertadas. Conforme descrito acima, as bactérias e fungos gostam de ambientes úmidos e abafados; portanto, opte por roupas leves, calças mais largas e evite ao máximo tecidos sintéticos;
  • Em casal, quando quiserem diversificar a relação sexual, muito cuidado ao introduzir objetos na vagina – eles podem estar contaminados e até causar lesões;
  • O parceiro do sexo masculino também pode apresentar algum sintoma e é necessário que ele procure um médico urologista;
  • Faça exames de rotina e incentive seu parceiro a fazer o mesmo;
  • Preservativos ainda são a maneira mais eficaz para evitar doenças, use-os;
  • Durante o período menstrual, tente trocar o absorvente ou coletor em até seis horas de uso;
  • Com vergonha do corrimento ou para não sujar a calcinha, muitas mulheres utilizam absorventes diários ou protetores de calcinha – evite, pois abafa a região;
  • Urine após as relações sexuais, isso ajuda na limpeza do trato urinário;
  • Lave as roupas íntimas apenas com sabão neutro, de preferência;
  • Use, preferencialmente, calcinhas de algodão;
  • Dormir sem calcinha é ótimo para deixar a região mais arejada.

Mesmo com todas as dicas e explicações, em todos os casos recomenda-se procurar o ginecologista tanto para diagnóstico quanto para o tratamento correto. E o mais importante: jamais use medicamentos por conta própria.

Restou alguma dúvida? Entre em contato conosco! Prezamos pelo seu bem-estar e saúde, e nosso corpo clínico está sempre preparado para atendê-la!

 

Dra. Gisele Tolaini Gomes Pereira (CRM 135783) e Dra. Liliane Miyuki Sato (CRM 139085), ginecologistas do Centro Alliance de Medicina

Sem comentários

Postar um comentário

WhatsApp chat