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Tomar anticoncepcional aumenta o risco de trombose?

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Recentemente, temos acompanhado um aumento da discussão sobre a relação entre o anticoncepcional e a trombose. Por isso, decidimos abordar o tema e explicar qual o real risco de a mulher utilizar o contraceptivo e ser acometida por eventos tromboembólicos venosos.

Saiba, antes de qualquer coisa, que o risco de trombose em mulheres saudáveis que tomam anticoncepcional via oral é muito baixo. Entretanto, ele é, sim, maior do que na população em geral que não faz o uso.

Por quê? Porque a trombose está ligada principalmente ao componente estrogênico (presente no contraceptivo). E sabe- se ainda que existem classes de progestagênios que aumentam o risco.

Falando em números, o risco de trombose é de 5 em 10 mil para mulheres que não usam pílula e de 10 a 15 em 10 mil para aquelas que usam o medicamento, variando também de acordo com a pílula utilizada. Ou seja, há um aumento, mas, ainda assim, estatisticamente falando, o risco é considerado baixo quando comparamos os dois grupos de mulheres.

 

É preciso considerar fatores de risco!

Fatores de risco individuais, como obesidade, tabagismo, puerpério, cirurgias maiores com imobilização, antecedentes familiares de trombose venosa, doença inflamatória intestinal, uso de corticosteroides e lúpus eritematoso sistêmico (com presença de anticorpos antifosfolipídeos) também influenciam e aumentam os riscos.

A gestação (40 em 10 mil mulheres) e o puerpério chegam a trazer quatro vezes mais risco de causar trombose do que o uso de anticoncepcional!

Além disso, a quantidade de hormônio tem maior relação com aumento de risco, mas não o tempo de uso. De acordo com estudos, os eventos tromboembólicos ocorrem dentro do primeiro ano de uso (especialmente após o quarto mês). Após um ano, por exemplo, esse risco não se altera.

 

Dúvidas frequentes

  • Há necessidade de rastreamento laboratorial de trombofilias antes da prescrição de contraceptivos? anticoncepcional trombose

De acordo com a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), não há indicação para tal, pois não é possível triar todas as trombofilias; sua incidência na população é baixa e testes negativos não excluem a existência de outras causas genéticas ainda não conhecidas. Devemos levar em consideração o histórico familiar e pessoal da paciente.

  • Sei que tenho tendência, posso usar anticoncepcional?

A resposta é: sim! Existem opções apenas com progestágenos, que são seguros até para quem já teve trombose.

  • Outras opções, como adesivo ou anel, são mais seguras do que aqueles que tomamos via oral?

Não!

O mais importante, em qualquer caso, é o acompanhamento médico e a avaliação do mesmo – ele tratará de cada caso de forma individualizada. Por isso, lembramos que não é recomendado tomar a pílula indicada pela amiga – quem prescreve remédio é o seu médico. Não se arrisque!

 

Dra. Liliane Miyuki Sato (CRM 139085), ginecologista e obstetra.

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