22 jul Alta pós-parto: por que algumas mães saem tão rápido do hospital?
Você já deve ter percebido que algumas mamães têm alta da maternidade no dia seguinte ao parto. Acompanhamos algumas delas: as duquesas Kate Middleton e Meghan Markle; e, em terras tupiniquins, nomes como o da atriz Isis Valverde. Mas será que nós, simples mortais, podemos deixar a maternidade rápido assim?
Existe algum risco? Explicaremos aqui como isso é possível e os benefícios e malefícios que a atitude pode trazer.
Antes de qualquer coisa, devemos explicar que, nos países do Reino Unido, a alta precoce é uma prática comum devido às diferenças no sistema de saúde utilizado lá. As pacientes que tiveram partos normais sem intercorrências (mesmo não fazendo parte da família real) são liberadas da maternidade em até 10 horas e recebem visitas de um profissional em casa para avaliação da mãe e do bebê.
No Brasil, pela lei, a paciente poderia ter alta após 24 horas, o que está previsto no artigo 9º da portaria nº 2.068, publicada em 2016. Mas na prática, o mais comum é que a alta seja após as 48 horas.
Pensando na mãe

Essa alta precoce varia de acordo com cada caso; logo, a conduta de dar alta ou não precisa ser individualizada. De acordo como tipo de parto, se a paciente teve uma gestação e um parto sem intercorrências, de como está sendo a evolução pós-parto nas primeiras horas.
Se pensarmos, na teoria, poderíamos dar alta para uma paciente em até 10 horas após um parto normal tranquilo, que se recupere bem, sem apresentar hemorragias ou outras queixas clínicas e esteja bem orientada. Mas o ideal é que em 24 horas ela pudesse ser reavaliada pelo médico. Por isso, no Brasil, pela nova portaria, o Ministério da Saúde propõe o tempo mínimo para alta de 24 horas. Pois pensando em saúde pública, nosso sistema de saúde não teria como garantir essa reavaliação para todas as novas mamães.
A cesárea envolve outras questões. Além da necessidade eventual de controle de dor no pós-operatório, devemos pensar no maior risco de sangramento, na mãe voltando a urinar normalmente após a anestesia e a retirada da sonda vesical, na evacuação normal e na eliminação de gases, entre outras questões. Por isso, precisamos analisar os fatores clínicos de cada paciente.
Quando vemos celebridades saindo do hospital rapidamente, precisamos entender que elas provavelmente possuem uma equipe de apoio – que pode, inclusive, ir até a casa delas. Essa pode até ser uma realidade para outras mulheres que têm um acompanhamento médico particular, mas em linhas gerais, ainda é da nossa cultura a ideia de permanência de 48 horas no hospital.
Os maiores cuidados são com o bebê
É claro que também precisamos considerar caso a caso, mas a preocupação maior é sempre com o bebê. Por quê? Ele precisa fazer, por exemplo, o teste do pezinho após 48 horas do nascimento. Ou pode apresentar um caso de icterícia – quando o bebê tem uma cor amarelada da pele e da parte branca do olho, causada por níveis elevados de bilirrubina no sangue. Ou hipoglicemia, caso não consiga mamar adequadamente nas primeiras horas de vida.
O bebê precisa estar pronto para uma vida fora do hospital, ou seja, observamos se ele está urinando e evacuando normalmente, se a sua temperatura é adequada, se possui uma boa coordenação e posicionamento adequado para a sucção no peito e deglutição correta, entre outros. Ou seja, os cuidados envolvem mais a criança do que a mãe.
Portanto, sim: é possível sair do hospital no mesmo dia ou no dia seguinte ao parto, mas tudo depende da realidade de cada mãe e das condições dela e do bebê. Ficar um pouco mais de tempo pode ser a garantia de um desenvolvimento mais saudável para o bebê em casa e de uma recuperação mais tranquila para a nova mamãe. Converse antecipadamente com seu obstetra e também com o futuro pediatra de seu bebê para entender pormenores e não estranhar as decisões que venham a ser tomadas após o seu parto.

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