04 jul Cadeirinha infantil: longe de ser um acessório
Recentemente muito se tem discutido sobre a possibilidade da retirada da multa, caso as crianças sejam transportadas nos automóveis sem cadeirinha infantil (bebê conforto, cadeira de segurança, assento de elevação), e por isso resolvi escrever este texto – para enfatizar a importância da cadeirinha.
Sabe-se que crianças com até quatro anos, sem a proteção, estão expostas a um risco duas vezes maior de sofrer ferimentos graves ou vir a óbito em caso de acidentes de trânsito, pois o tamanho pequeno da criança facilita sua movimentação entre os vãos livres do carro no momento de um impacto. Quando comparada a um adulto, ela é mais frágil e mais propensa a ferimentos graves. Além disso, o tamanho de sua cabeça contribui para que seu corpo seja facilmente arremessado, ela tem dificuldade em tomar atitudes defensivas e falta de percepção do perigo.
A obrigatoriedade do uso da cadeirinha surgiu em 2008 e, hoje, se a criança não for transportada no assento correto para a idade, o motorista recebe uma multa gravíssima, perdendo 7 pontos na carteira. Porém, acredito que esse não seja o maior problema; para mim, o maior argumento para os pais transportarem os filhos corretamente não deve ser apenas a multa, mas sim a proteção que esse dispositivo confere à criança. Posso citar mais de uma:
- Reduz o risco de ejeção da criança durante a batida;
- Distribui melhor a energia do impacto ao longo de todo o corpo;
- Prolonga o tempo de desaceleração do corpo em relação ao veículo;
- Limita o contato da criança com estruturas do interior do veículo;
- Protege a cabeça e a coluna vertebral.
Os números dizem muito
O Ministério da Saúde informa que, de 2008 a 2017, as mortes de crianças que estavam em veículos diminuiu 12,5%. Já estudos norte-americanos mostram que as cadeiras de segurança reduzem o risco de ferimentos de 71% a 82%, e diminuem o risco de morte em 28%.
E os dados não param por aí. De acordo com registros levantados pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), em média 37 crianças morriam por ano em acidentes de trânsito, mesmo recebendo cuidados em hospitais da rede pública. Entretanto, esse número mudou ao longo da última década: o saldo caiu para 25. Em 2018, esse número caiu para 18.
Quando falamos de mortes no local do impacto, ainda de acordo com os dados levantados, entre 2010 (ano de vigência da resolução do Contran com a lei da cadeirinha) e 2017, a queda foi de 19%, ou seja, de 346 para 279 óbitos.
Portanto, acho que o benefício do uso é muito maior do que o risco de não usar, mesmo que a aplicação da multa seja cancelada.
Mas qual cadeirinha e para qual idade?
Muitas mães têm dúvidas sobre a melhor marca ou qual tipo de cadeirinha a usar para cada idade, e por isso darei algumas orientações:
- O melhor dispositivo é aquele que melhor se adapta ao banco traseiro do seu veículo, independentemente da marca;
- Caso o veículo tenha o cinto de três pontos no meio do banco, esse é o local mais seguro para o transporte; caso não tenha, transportar em uma das laterais;
- Certifique-se de que a cadeirinha possui selo do Inmetro, pois isso comprova que o dispositivo passou nos diversos testes que certificam a segurança do produto;
- Antes de comprar um dispositivo, teste no veículo para averiguar se ele ficará firmemente ajustado e é compatível com o cinto de segurança;
- Leia atentamente o manual de instruções do produto e certifique-se de que foi instalado seguindo as orientações do livro;
- Leia o manual do seu carro: lá também há instruções para instalação correta da cadeirinha;
- Após instalada, puxe-a com força para testar sua efetiva fixação;
- Faça revisões periódicas para observar afrouxamento ou desconexão do equipamento;
- Utilize cada modelo até o máximo permitido de peso e altura. Quando a cadeirinha ficar pequena para a criança, ou sua cabeça ultrapassar o limite superior da cadeira, um novo modelo deve ser adquirido;
- Tenha o hábito de sempre afivelar o cinto quando colocar a criança no bebê conforto;
- O ângulo de 45º é um ângulo de maior segurança e conforto para o bebê.
Separamos algumas imagens para exemplificar como as cadeirinhas, de diferentes tipos, devem ser utilizadas. Confira as diferenças e indicações nas figuras a seguir:

Dr. Daniel Servigia Domingos (CRM 139.044), pediatra geral e endócrino pediatra




Sem comentários